Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Há algum tempo atrás, um conhecido me perguntou por qual motivo eu sempre me interessava por homens fracos e covardes.

Na época, achei a pergunta totalmente sem propósito.

Hoje, eu me faço a mesma pergunta.
Na verdade, já faz um bom tempo que eu me faço essa pergunta:
“Qual o motivo de me deixar impressionar por homens tão fracos?”

Minha história com o Ed, só me deixa isso bem claro.
Independente de quais sejam os reais motivos dele (frieza, desamor, fraqueza de caráter, falta de sustentação, manipulação, etc., etc. etc), no fim o que fica a mostra é que ele é um homem fraco.

Eu posso ter sido insegura, e devido a isso ele repensou toda a nossa relação, mas se fosse um homem forte, teria lidado com a minha insegurança de uma forma totalmente diferente.
Se bem que, aos meus olhos, a minha insegurança foi apenas a oportunidade que precisou pra ir embora. Ele iria embora de qualquer forma.
Os meus chiliques apenas abreviaram a conclusão dos fatos.

Essa conclusão é dolorosa.
Não pense que escrever isso não me faz mal, mas eu preciso lidar com a realidade dos fatos.
Só assim eu vou poder superar.
E como tudo está apenas no campo das ideias, pois ele não me fez nenhuma acusação concreta, não me disse coisa alguma que servisse pra considerar, eu só posso supor.
E ele mesmo me disse que eu posso supor, o que eu quiser.
Pelo menos, esse direito eu ainda possuo para um homem que me tratou com tanto desamor nos últimos dois meses.

Pra me acalmar comecei a fazer Heart Chakra.
Uma meditação que me dá uma chance e tanto de obter o equilíbrio.
A meditação oferece todo um ballet em que se estabelece num movimento a partir das mãos sobrepostas sobre o peito.
Enquanto eu faço o movimento, eu imagino meu corpo encontrando seu centro, seu “norte” (como uma direção principal da qual não quero me desviar não importa em que direção eu dê meus passos).
E eu imagino que enquanto tiro uma das mãos do meu peito pra frente, lados ou atrás (dependendo da etapa que estiver cumprindo), eu estou tirando toda a dor, decepção, tristeza, raiva, ressentimento, desejo de vingança, amargura, azedume, que possa se estabelecer em mim.
Não quero que nada disso destrua minha determinação em ser feliz e viver uma história de amor com toda a completude de que preciso e que é o meu objetivo maior.

Mas eu preciso me libertar dessa fixação em homens fracos.
Ou, simplesmente, não alimentar a expectativa de que existam homens com força de caráter.
Ou alguma outra coisa que escapa a minha compreensão limitada deste momento.

O Ed tem toda uma paixão por super-heróis: X-Men, Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Transformers, etc., etc. Mas não consegue ter um por cento desta força que ele tanto admira nestes heróis. E eu via isso, mas mesmo assim o amava e aceitava assim. Eu via características quase infantis nele, nessa fixação por histórias de heróis e mitos, mas não achava que isso pudesse ser negativo. Hoje, eu já penso que era uma mostra do quanto ele ainda não é um homem.

E eu preciso me relacionar com um homem, pois eu SOU UMA MULHER.

Pra completar minha mensagem de hoje, vou postar dois textos que uma amiga colocou no perfil dela no face, e que eu achei que tinha muito em comum com o que expressei aqui. Grata, Katia Lyrio!!!!


Eu quero andar de mãos dadas com quem sabe que entrelaçar os dedos é mais do que um simples ato que mantém mãos unidas.
É uma forma de trocar energia, de dizer: você não se enganou, eu estou aqui. Porque por mais que os obstáculos nos desafiem, o que realmente permanece costuma vir de quem não tem medo de ficar."



"Cumplicidade é ser parceiro e fiel em todos os momentos. É andar junto e não dar as costas ao outro se o momento não for favorável, porque haverá muitos momentos ruins e aí é que serão testados teu amor e cumplicidade. Se fores dar as costas, que elas sirvam de apoio ao outro. Que não sirvam como uma muralha, parede, rocha, rua sem saída. Ser cúmplice é ser luz, caminho, mão dupla. Ter idéias para seguir junto ante as armadilhas do tempo. Ser refúgio e fortaleza."


Terça-feira, Janeiro 03, 2012


Minha crise afetiva começou um mês antes do natal e do ano novo.

Pode-se fazer idéia do quanto todo esse processo, naturalmente doloroso, ficou mais doloroso ainda em função de todas as emoções evocadas pelas festas de final de ano.
Hoje, vou tentar relatar, de forma bem sucinta, quais foram as minhas emoções nestes dias, e também os fatos.

Hoje é dia primeiro de janeiro, e eu quero começar o ano com o pé direito no quesito “meu blog”.

No dia 17 de dezembro conversei com o Edegar, e tive de ouvir dele que eu fui enterrada.

Que ele já havia experimentado raiva e dor, e que não vivenciaria mais isso, e que decidiu que ia preservar alguma emoção positiva em virtude de nossa “velha amizade de tantos anos”.

Ele também disse não ter mais nada pra me dar, usou exatamente a expressão de que “enterrou” todos os sentimentos que teve por mim. Aquilo foi a coisa mais dolorosa que eu já ouvi de um homem.

Nem o ressentimento do Jerry comigo foi tão doloroso. Mas o pior ainda estava por vir.

Na segunda-feira, dia 19, acabei por descobrir que o homem que, há um mês atrás, dizia que me amava e desejava viver o resto da vida ao meu lado, já tinha uma nova namorada: o bichinho da goiaba (Joelma do Calipso antes das cirurgias plásticas).

Dizia o Flávio Vieira, que pior que arrumar uma nova namorada, era arrumar uma nova namorada feia. Bom, comigo o efeito foi ao contrário, de certa forma, eu me senti fortalecida na minha autoestima, que nunca é grande coisa.

Aos meus olhos, pareceu que a autoestima dele é menor do que a minha, e que ele pegou o primeiro tribufu sem caráter e sem valor que achou no meio do caminho.
Claro que apesar de ter essa sensação que me trouxe um certo poder, também quis mata-lo (arrancar os dentes com alicate de cutícula como eu disse para algumas amigas).
Tive muita raiva e muita dor, mas ao mesmo tempo, consegui enxergar que não importa o que ele faça, o discurso do “enterro” só serve para que ele engane a si mesmo.

Ele pode dizer que me enterrou o quanto quiser.
Só conseguiu comprovar pra mim, o quanto é um homem fraco que nem mesmo pode suportar encarar a tristeza sozinho; precisa se agarrar em um rabo de saia pra dar suporte pra ele.
No dia 21 nos encontramos de novo para que eu devolvesse as poucas coisas dele que ainda estavam lá em casa. Como eu já sabia do bichinho da goiaba e estava com a história de ter sido enterrada entalada na garganta, falei mais alguns desaforos. Única e exclusivamente pra tirar aquele sapo do meio da minha garganta, pois ele não expressa nenhuma emoção.
Disse que eu posso tirar a conclusão que eu quiser, que ele não tinha se decidido se estava namorando alguém ou não, e que estava cansado demais pra me dar qualquer coisa.
Ah, também me falou que a única pessoa que pode criticá-lo é a ex-mulher pois ela é a mãe das filhas dele.
Ou seja, eu não podia ter reclamado de nada em nosso relacionamento, pois não fazia parte dos meus direitos.
Eu tinha que apoiá-lo incondicionalmente, pra ser aceita.
Ou seja, a minha dúvida que surgiu desde o acidente da minha mãe, era totalmente pertinente.

Foi um encontro doloroso pra mim.
Descobrir que o homem que eu achei que me relacionava jamais existiu, e que só existe esse homem sem caráter, sem afeto e sem respeito por mim no meu caminho,
me rendeu muita decepção.
E decepção dói demais!

Mas eu atingi um nível de estabilidade depois de tanta decepção.
Aquelas crises de choro, sentindo dor insuportável nas minhas costas e no meu peito, foi suavizando. Ainda tenho momentos de lágrimas, mas não são tão dramáticos, apenas são inevitáveis.

Desde que vim pra Porto Alegre, reencontrei a Michele/Abhati, o Maytréia/Rafael, a Kamin/Magali, a Silvia, o Rogério.
Eles todos me ajudaram a não ficar sentindo pena de mim, apesar de terem que suportar a minha decepção e meus relatos. Mas me ajudaram a me sentir amada.
Que é tudo de que preciso nesse momento.
E me deram a oportunidade de saber como eles estão, e sentir o quanto eu ainda os amo, apesar de toda distância que já vivemos durante os 6 anos que estive fora do RS.
É doloroso olhar pra toda essa história.

Por que aos meus olhos, eu me meti numa farsa.
Num teatro, encenado pelo Edegar, e que eu contribuí na encenação, ao acreditar nos sentimentos que ele disse ter por mim.
Pois se ele me amasse e quisesse construir, aquilo que ele dizia desejar, as escolhas dele seriam outras.

Eu sei que eu fui inteira, amorosa, batalhadora, disponível pra dar pra ele tudo que fosse necessário pra que a nossa história tivesse prosseguimento.

Mas eu queria ser amada também e agora descobri que em momento algum, eu fui amada no mesmo nível.

Eu chorei junto, briguei por ele, defendi sempre que pude, arrisquei a viver numa situação que eu achava impossível (viver junto com uma pessoa na mesma casa, dividir a vida).

Aos meus olhos eu não fui perfeita, o que eu jamais conseguirei ser neste estágio em que estou na terra. Mas ... isso não estava sendo considerado.

Como diz o Jorge Vercilo, na música Devaneio: “Foi um devaneio meu / Um veraneio seu / E um outono inteiro em minhas mãos."



Devaneio, de Jorge Vercilo


"Mergulhei no mar / E não dava pé / Me apaixonei/ Mas não sei por quem /Sonho com alguém / Que você não é!

Eu me entreguei demais/ Eu imaginei demais / E o silêncio fala mais que a traição/ Foi um devaneio meu / Um veraneio seu / E um outono inteiro / Em minhas mãos.

Vi um sol nascer / Pelos olhos seus / Me deixei levar / Eu não refleti / Que era a luz dos meus / Refletida em ti.

Eu me entreguei demais / Eu imaginei demais / E o silêncio fala mais que a traição

Foi um devaneio meu / Um veraneio seu / E um outono inteiro em minhas mãos."

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

“Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.” - Caio Fernando Abreu.
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que tem saudade... sei lá de quê!" - Florbela Espanca

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Raramente, faço chimarrão quando estou sozinha.
Em minha opinião, o chimarrão é algo coletivo
e não é tão divertido tomar sozinha.
Porém, hoje, me peguei com vontade de fazer e tomar.
É domingo, e se o Ed estivesse em casa, ele teria feito.
Fiz por causa disso.
Pois se ele estivesse aqui, iria tomar comigo.
Estou assistindo Transformers por causa dele.
Por algum motivo, ver este filme me aproxima da energia dele.


Desde ontem, tenho pensado muito.
Sem desespero, sem pânico, apenas pensando.
De verdade, parece que estou apenas enxergando.
Sentindo um profundo arrependimento, por perceber,
com clareza, o quanto me prejudiquei em diversos momentos.
Sempre acreditei que tinha feito diversas escolhas
baseada nas minhas razões e nos meus objetivos.
Hoje, eu começo a achar que havia outras razões pra isso.
As razões que eu não enxerguei.
Aquelas que ficam escondidas
várias camadas abaixo da dor
e que a gente faz força pra esquecer,
Mas ficam lá ... pairando sobre a nossa cabeça.
E com elas, nos sabotamos,
destruímos nossa possibilidade de encontrar a cura.
Acredito ter feito isso várias vezes.
Naquele momento, em que eu senti que tinha sido relegada,
pela pessoa que dizia, constantemente, que me amava,
que eu era “o ar que ela respirava” (ela diz isso até hoje),
eu deixei de acreditar em qualquer pessoa.
Não desacredito de amigos
(não sei por qual razão)
mas desacredito do amor romântico.
Basta ouvir promessas,
frases de efeito,
que funcionam maravilhosamente bem nos relacionamentos,
e algo dentro de mim deve começar a se construir (ou destruir).
Existe uma voz dentro de mim que repete:
“é mentira!!!”; “não acredita”, “não confia”,
“não se iluda”;“mantenha distância”; “afaste essa pessoa”.
Leva um tempinho, mas isso se forma,
Algumas vezes o efeito é devastador de outra forma.
Eu me interesso por quem vai me rejeitar.
Dessa forma, eu não corro o risco de me decepcionar.
Não existem promessas,
a culpa foi minha de fazer a escolha errada.
Eu sofro, mas me preservo.
E assim alguém confirma que o erro foi meu:
sou eu que não sou uma pessoa amável,
sou eu que não mereço ser amada.
Como não mereci quando era criança
e continuo não merecendo.
Ser rejeitada no amor,
Expõe minha total incompetência para ser amada.
E eu vivo, de novo, a sensação de que eu sou má, feia,
suja, esquisita, menos do que esperariam de mim.
A sensação de que eu sou um monstro,
como quando eu me olhava no espelho,
logo que o cachorro quase arrancou minha bochecha.
Eu lembro direitinho de quando eu via o meu reflexo
E só enxergava as bandagens ou marcas,
Não via o rosto de uma menina de 3 ou 4 anos,
Com uma bochecha bonita e gostosa de apertar.
Via um monstrinho deformado,
Que ninguém poderia amar.
Eu tinha medo do meu rosto!
Não sei o que eu ouvi
A meu próprio respeito, naquela época,
Mas não deve ter sido bom.


Quando eu encontro alguém,
que diz me amar,
existe uma surpresa,
um descrédito delicado,
mas, acho que a parte saudável em mim,
quer experimentar.
Porém, eu vou ficando insatisfeita.
Algo, dentro de mim, começa a me enlouquecer.
Eu preciso levar essa pessoa até as últimas conseqüências.
Preciso que ela me prove o tal amor tão falado.
E eu faço tudo que eu posso pra testar.
Eu não acredito no tal “amor incondicional”!
E até hoje, sem falha alguma, eu tenho provado,
Cuidadosamente, e de forma devastadora,
Que eu nunca fui, incondicionalmente, amada!
Do mesmo jeito, em que, num momento de escolha,
Eu me senti deixada de lado, pelos meus pais,
Eu provo que ninguém me ama!
Que eu sigo a vida cercada de ilusões,
Da mesma forma que me iludi,
Quando era criança.


Eu nunca cheguei a enxergar isso.
Enxerguei agora, com o Ed,
E vi, por ter conversado: com a Lú,
com a Giovana, a Simone e a Gabi.
Conforme fui falando e ouvindo, fui entendendo.
Não teria visto sozinha.


Eu fui vários passos além do que sempre fui.
Eu aceitei me mover na direção da pessoa.
Eu aceitei renunciar a algo dentro de mim
Que diz, “não saia do teu pedestal”;
“não mostre exatamente o que sente”
“Finja que não tem insegurança dentro de ti”
“faça de conta que outros te importam mais”;
“Não deixe claro quais são os teus sentimentos”
E “vá embora, antes que as coisas se tornem perigosas”.
Porém, essa postura incomum, me custou equilíbrio.
Trouxe a tona, as coisas que eu mais desprezo.
As coisas que eu julgo que enfraquecem uma mulher.
Primeiro: eu tive vontade de ter um filho,
algo que já foi decidido que eu não vou ter,
pois, racionalmente, eu já passei da idade
(sei que várias pessoas discordam de mim, porém
esta é a minha opinião, racionalizada e ponderada há vários anos).
Já tive esse desejo antes.
Mas foi fácil descartar.
Bastou racionalizar, e eu me desfiz do desejo.
Bastou me apegar a um obstáculo, e eu deixei de desejar.
Dessa vez, eu não consegui.
Desejei profundamente ter um filho com ele,
Desejo, profundamente, ter um filho dele.
Mesmo com todos os julgamentos negativos,
E opiniões racionais contrárias,
eu tenho essa vontade dentro de mim.
Várias vezes, eu disse isso, mas logo em seguida,
Me desmenti.
Afirmei uma vontade, desfazendo dela logo em seguida,
Para não correr o risco de me deixar levar.


Outra coisa que me afeta:
Eu me submeto pra ele na cama.
E não é um sacrifício.
É algo que me satisfaz,
me dá um prazer e uma alegria
difíceis de descrever.
Me submeto, por livre e espontânea vontade.
Só que, como bem fui lembrada,
o prazer na cama,
já é algo contraditório pra mim,
Afinal o sexo, me colocou em risco.
Eu tenho acessos de choro terríveis no momento do orgasmo.
Não é sempre, mas tem sido muito freqüente.
Quanto mais prazer eu sentir,
Maior a probabilidade, do meu orgasmo,
me levar a um choro convulsivo.
A dor que eu sinto no meu peito,
me deixa arrasada por algum tempo.
Demoro a me recuperar.
E percebi outra coisa (que deve contar um monte aos meus delírios)
... eu sou tão dele,
que eu só posso estar em risco,
ou colocando outra pessoa em risco.
Minha mãe fazia tudo pelo meu pai,
inclusive fechar os olhos para o desejo pervertido dele por mim.
Ela me protegeu, quando foi necessário.
Porém, ainda assim, ela não renunciou a presença dele,
na vida dela e, consequentemente, na minha vida.
Mesmo que as regras tenham sido tornadas rígidas,
e a confiança dela tivesse se reduzido,
Ainda assim,
fui obrigada a suportar a presença dele
até os meus 18 anos
(quando eu decidi que nunca mais seria obrigada
a olhar para o rosto dele, enquanto eu vivesse.)
Antes disso, fui recriminada por não ter expressado confiança
E não ter contado o que acontecia.
Isso sempre me dá aquela vontade de rir
(aquele riso amargo que vem pelo descrédito):
ela esperar que uma criança,
assustada e envergonhada,
contasse com naturalidade que estava sendo vítima de abuso.
Que percebia - há tempos - que os olhares dirigidos pra ela,
não eram de amor fraternal.
Aos meus olhos, quem é capaz de amar tanto outra pessoa,
a ponto de desconsiderar toda a dor que ele me causava,
Só pode ter a mente e o espírito
afetados e perturbados.
Não pode ser algo bom!
E eu acho que eu comecei a amar tanto o Ed,
que comecei a duvidar da minha capacidade
de ser menos desequilibrada que a minha mãe.
E, então, eu fui lá, e destruí tudo.
Entrei em colapso.
Comecei a testar o “imenso” amor dele,
provoquei os limites dele,
E consegui exatamente o que eu queria:
Provar que o imenso amor dele,
Não resistiria a pressão.
Não me dei conta, que sem compreensão
Dos fatos que levam a tanta pressão,
Ninguém poderia resistir.
Porém, dessa vez, eu já estava tão dentro do furacão,
Que eu me senti despedaçando
quando eu consegui o que queria.
Não me senti vitoriosa.
Não me senti protegida.
Fiquei confusa e magoada demais.
Porém, consegui enxergar em que ponto,
todo o meu sentimento,
virou um lamaçal de dores antigas.
Percebi que o Ed foi apenas a ponta do iceberg.
Ele apenas foi a vara,
Que cutucou a onça que existe dentro de mim,
Cheia de feridas e cicatrizes mal curadas.
Infelizmente, foi pra ele que sobraram as minhas mordidas.
Não sei se ele tem a menor condição de lidar comigo.
Seria necessária muita paciência,
Muita compaixão.
Sei, que EU preciso estar sempre consciente,
Pra não fazer nenhuma bobagem com a minha vida.
Mas gostaria que ele quisesse tentar.


Foi com ele que eu consegui andar
diversos passos além dos meus limites.
Foi com ele que eu consegui acreditar por mais tempo.
Foi por ele que eu me arrisquei além do meu campo de segurança.
Foi pra ele que eu consegui entregar um amor
que eu nem sabia que eu tinha a capacidade de oferecer pra alguém.
Perdi um pouco o controle das coisas,
E quando a sujeira, que estava debaixo do meu tapete,
se espalhou, eu já tinha perdido a noção do que era o amor.
Todos os sentimentos ruins e desprezíveis
que estão guardados dentro da pessoa que eu sou
Vieram à tona.
Mas existiram tantas coisas gostosas no meio disso tudo!
Essa sensação de me entregar,
De acreditar (mesmo que tenha sido por um curto período de tempo),
de me sentir amada, foi tão incomum.
Foi tão bom viver isso!
Ninguém pode fazer idéia do quanto eu precisava viver esta sensação.
E do quanto me dói sentir que o caos que existe dentro de mim,
Tirou a sensação amorosa que eu já tinha vivido.
Eu não adoeci nos últimos meses.
E velhos amigos sabem o quanto isso é importante pra mim.
Pois eu sou a pessoa, que vivia com alguma doença se manifestando,
pela dificuldade em compreender as próprias emoções.
Algumas vezes, eu tive uma dor fibromiálgica
que rapidamente foi superada
(no meio de outras pressões, cidade nova,
emprego novo, problemas de saúde da mãe, desemprego do Ed;
eu considero que uma ou outra crise superáveis, quase não são nada).
Algumas infecções urinárias
(excesso de fricção que espero não precisar explicar),
mas nada que parecesse um sistema nervoso
gritando desesperado que eu o ajudasse e respeitasse.
Se ele me permitisse essa chance, eu gostaria de tentar.
Por que eu não me iludo.
Não é só dentro da minha alma que existe sujeira.
E eu precisarei aprender a encarar a sujeira
que está debaixo do tapete dele.
Mas ele vai precisar estar disposto a me perdoar.
Aceitar que eu me descontrolei e agi em destempero
Por não ter me conscientizado a tempo
Do que passava dentro de mim.
Só ele pode me dizer se nosso primeiro obstáculo,
Vai ser um encerramento,
Ou apenas a mudança do status do relacionamento de
“relacionamento adolescente”
para “relacionamento de adultos”.


Eu gostaria de, enfim, começar a crescer,
E de viver isso ao lado dele.
Eu quero, convidá-lo para participar do meu mundo!
Que não é tão lindo, não é tão claro,
como nos contos de fadas.
Meu mundo é sombrio, diversas vezes,
porém agora está cheio de esperança,
de que a consciência possa me ajudar a seguir em frente.
E que eu possa aprender a confiar e amar!


Em tempo: tudo isso eu escrevi no domingo, dia 04.
Hoje, dia 05, eu não me sinto mais assim.
Existe uma desesperança dentro de mim.
Quase não dormi essa noite, por causa desse sentimento.
Passei do espaço de uma esperança pequena
porém resplandecente
para um espaço de trevas.
A dor no meu peito é um inferno particular.




Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

Relacionamentos negativos

Durante 24 horas, anote tudo o que você se lembre sobre como sabotou o seu relacionamento no passado - tudo em detalhes. Olhe o relacionamento por todos os ângulos e não repita esses padrões. Isso se tornará uma meditação, e se o relacionamento permanecer num novo relacionamento ou não, isso é secundário. Se você conseguiu permanecer consciente enquanto faz isso, terá valido a pena. Você sabe muito bem - todo mundo sabe, pois é impossível não saber o que se faz num relacionamento. Nos momentos de sanidade, você sabe muito bem. Nos momentos de insanidade, você se esquece; isso eu sei. Portanto, antes que surjam esses momentos de insanidade, olhe. Escreva todas as coisas que você sempre fez para sabotar o seu relacionamento e mantenha uma cópia disso com você. Sempre que surgir uma situação em que os antigos padrões possam se repetir, olhe para ela. A pessoa precisa aos poucos ir ficando mais alerta, e depois disso tudo fica maravilhoso. O amor é tremendamente belo, mas pode se transformar num inferno. Por isso, primeiro você aponta todas as coisas e depois não as repete. Você ficará tão feliz, só por ser capaz de não repetir esses padrões, que sentirá uma certa libertação. Essas coisas são obsessivas; elas são como neuroses, um tipo de loucura. E, sempre que duas pessoas estão se amando, elas ficam juntas para serem felizes; ninguém vive junto para ser infeliz. Mas é assim que as pessoas continuam sendo burras. Mais cedo ou mais tarde, elas começam a tornar um ao outro infeliz, e a coisa toda se perde. Todos os sonhos são estilhaçados e mais uma vez se tornam uma ferida. Osho, em "A Essência do Amor: Como Amar com Consciência e se Relacionar Sem Medo"

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

"Ainda não estou bem pra conversar. mas fica tranquila ainda podemos ser amigos." Foi o melhor que eu consegui dele. Mas considerando a confusão que eu causei, até que foi algo bom! Pena que agora eu sinto uma desesperança!

Experiências

Ontem eu tive uma experiência diferente,
cujo objetivo inicial era clarear meus sentimentos
e pensamentos sobre o meu relacionamento com o Ed.

Porém, na verdade, fui muito além.
Tive de relembrar minha história com meus pais.
E rever, aquilo que já vi várias vezes:
o quanto essa história mal desenhada ainda afeta o meu mundo.
O quanto um homem que entre na minha vida,
acaba chegando lá, na minha ferida e sem querer,
somente pelo fato de existir, acaba por mexer na lama que eu tanto desprezo.

Não posso esquecer-me dos motivos pelos quais
eu duvido das pessoas,
mas preciso aprender a olhar pra essa história
e encontrar o caminho suave pra poder amar!
Não sei se é uma tarefa fácil.
Na verdade, tem sido um desafio e tanto desde que me lembro.
E ver, de novo, esse evento, que há tanto tempo passou,
afetando meu jeito de lidar com os homens, é um tanto desanimador.

Mas, quem sabe, dessa vez,
eu consigo destruir efetivamente essa torre de isolamento que existe ao meu redor.
Quem sabe, ao encarar a dor do abuso, e do desamor,
que eu aprendi desde criança, eu consiga me libertar.
Não sei se o Ed vai ter paciência pra lidar com isso.
Talvez seja exigir demais de qualquer pessoa,
que me ame com a serenidade e paciência que eu exijo,
mesmo quando, aparentemente, não estou exigindo nada.
E, claro que eu complico, pois eu exijo atenção pra poder tentar.
Eu vou duvidar.
Ou eu vou me entregar de uma forma desmedida.
Não conheço o caminho do meio, ainda.
Espero conhecer esse caminho.

Eu sei que conversar me trouxe dor, lembranças ruins e desconforto.
Mas depois, eu me senti tão mais leve ...
Consegui lembrar do Ed, sem sentir um vazio absurdo.
Na verdade, eu penso no Ed com ternura.
Eu gostaria que ele tivesse a disposição pra ter paciência comigo,
E participasse desse meu processo, mas
sinto que não é muito justo.
Pode ser que ele tenha planos
bem menos complicados do que lidar com a minha carência e a minha dor.

Eu sei que o que sinto por ele,
é diferente.
Foi a minha primeira experiência de entrega,
e mesmo em pânico,
eu também estava curtindo.
Mas havia insatisfação, da minha parte
e, possivelmente, da parte dele também.
A minha insatisfação, fruto do imenso buraco de carência;
a dele ... devia ter outras motivações.
Mas eu gostaria de aprender a superar.
Na verdade, nunca fiz esse esforço.
Viver a experiência de lutar juntos para superar as dificuldades,
Valorizando a experiência boa, e reconhecendo que
se relacionar não é fácil, porém vale a pena.
Nunca experimentei isso.
Persisti com o Jerri por culpa e obrigações religiosas.
Acredito que nunca foi por amor.
Ele persistiu pelos motivos dele,
que eu nem faço idéia quais eram realmente.
Adoraria que o Ed quisesse participar desse processo comigo,
Por que neste momento, é com ele que eu me arriscaria a tentar ir adiante.
Mas, cabe a ele, abrir o coração pra me aceitar de novo.
Eu o oprimi, por causa da minha angústia,
e ele tem todo o direito de não estar disponível para continuar.
E eu preciso ser adulta o suficiente
pra lidar com, seja qual for, a opção dele.

Admito que me dói (não a dor devastadora que eu experimentei antes)
por que eu prefiro a presença dele na minha vida, neste momento.

Mas ... se não for assim, quem sabe, em algum outro momento,
com outra pessoa, eu conseguirei transformar minha dor
em amor puro, sem cobranças e penalizações
por algo que nem foi aquela pessoa que me causou.

Segunda-feira, Novembro 28, 2011

Sábado

Sábado de trabalho.
Ainda bem!
Pena que eu acordei,
excessivamente, cedo.
Fui dormir logo depois da meia noite.
Acordei às 5h da matina.
Não é tão anormal.

Desde que o Ed voltou pra Porto Alegre, mesmo antes de terminarmos,
eu não consigo dormir mais que 5h ou 6h, no máximo.
A cama me deixa cansada.
É vazia, fria, desnecessária.
Aumenta minha solidão.

Normalmente, eu levanto cedo,
e ajeito tudo que é necessário,
e antes das 10h estou com toda a casa arrumada.

Agora eu tenho que fazer o almoço
mas não me desorganizo apesar de não ter
com quem dividir tarefa alguma.

Hoje, eu até me esforcei,
por ficar deitada, por não me ocupar tão cedo,
mas não consegui por muito tempo.

É estranho perceber que quando estávamos juntos,
parecia que não havia tempo suficiente
para realizar os nossos planos.
Pra acordar às 8h pra poder caminhar,
tínhamos de colocar o despertador pra tocar,
se não, nenhum dos dois se levantava.
Hoje, eu não faço realizo mais tarefas em casa,
por não ter vontade de fazer mais.
Por que tenho tempo para tudo,
acordo cedo, sem despertador, e não tenho vontade de dormir.
E não tenho sono no desenrolar do dia.

Circular pela casa, me faz mal.
Tudo aqui, o tempo todo me deixa depressiva.

Olhar para a garrafa de suco, que eu nunca teria comprado,
Pois sou muito estabanada e prefiro não me arriscar.

Olhar para as prateleiras instaladas na cozinha ou na sala,
E lembrar da alegria dele,
Quando me mostrava mais uma parte da nossa casa arrumada.

Se eu tivesse a menor chance de ir embora daqui,
eu iria.
para não carregar comigo
essas lembranças todas.

Eu tirei todas as coisas dele de diante os meus olhos
para acalmar o meu sofrimento
porém, não serviu pra nada.
A única coisa do Ed que eu não tirei da minha frente
foi a caneca do Grêmio que está pendurada na cozinha.
Às vezes, eu tomo chá naquela caneca.

A ausência dele, grita nos meus ouvidos
o tempo todo.
Tomar chá naquela caneca é como um calmante.
Ilusório, mas me deixa menos consternada.

Eu não parei de comer,
mas não consigo me alimentar com vontade.
Cumpro um ritual pela saúde do meu corpo
Mas não tenho fome.
Consigo me alimentar melhor,
quando estou com outras pessoas,
mas, sozinha, aqui em casa, não funciona muito bem.
A fome até existe,
Mas o estômago tem rejeição.
Eu preciso me esforçar,
me concentrar na importância do alimento.

Comprei mistura pronta pra bolo: de brownie,
Que o Ed adora!
Não consegui fazer até agora.

Estava tentando me lembrar se quando me divorcei
A dor era tão intensa assim.
Acho que era mais relacionada ao conjunto de perdas:
a igreja, o casamento, os amigos, minha estrutura toda de crenças.
E eu também saí de casa.
Não fiquei com os fantasmas da casa me seguindo.
Aqui, eu não tenho escapatória.
A “nossa” casa me faz chorar.

Quem sou eu

Minha foto
Garibaldi, RS, Brazil
Sem palavras pra descrever

Arquivo do blog